ode à bandeira
Foi no dia 28 de novembro de 2002,
em meio a um mar de bandeiras vermelhas na praça da Cinelândia - RJ, durante as comemorações da vitória do 1º presidente de esquerda a ser eleito democraticamente no Brasil, que surgiu este trabalho. A vontade de apropriação do símbolo do país, a visão da Bandeira modificada estava fixada em minhas
retinas. A partir daí a frase da Bandeira foi omitida e as cores modificadas, dando origem a estas seis releituras, permutações bicromáticas de vermelho, preto e branco. A discussão do trabalho pelo público é o trabalho em si.
O espectador tende a se relacionar
com o símbolo da bandeira de maneira individual, reagindo com atitudes que variam desde curiosidade, júbilo, cumplicidade, até indignação, repúdio
e censura. A modificação da cor, um elemento a princípio simples na composição do símbolo nacional tem diversas interpretações. As cores escolhidas permeiam o imaginário
coletivo, a cultura e crendices do povo brasileiro assim como a história internacional. Podemos citar o nazismo, que utilizou preto, vermelho e branco, vermelho e preto que representam o Flamengo, time de futebol conhecido pelo Brasil inteiro como Rubro Negro,
no candomblé preto e vermelho representam Exu, vermelho e branco são as cores da bandeira do Partido dos Trabalhadores, preto e vermelho
representaram também o movimento anarquista durante a guerra civil espanhola. Resumindo, as cores escolhidas possuem uma intensa carga de significados. A bandeira, com licença poética, é emprestada para gerar pensamentos, idéias, sentimentos,
indagações como: Por que? Quem? Para que? Para quem isto foi feito?
O que é a bandeira?

Seis bandeiras de 1,0 x 1,5 m
Cetim, corte e costura
exposição Bandeiras do Brasil
Museu da República,
Rio de Janeiro, RJ

2003